Realizou-se na semana passada nos dias 14-17 de outubro a maior feira de Jóias da América Latina, a Expo Joya - Versão 2, na cidade de Guadalajara, no Estado mexicano de Jalisco, promovida pela Camara de Joyeria y Plateria local com 350 expositores e 15 mil visitantes e 12 mil metros de área.
A cidade de Guadalajara é uma espécie de Limeira e Rio Preto juntas, pois possui fábricas tanto de folheados e bijuterias como de jóias de ouro e prata, correspondendo a 60% de tudo o que é produzido no México em jóias de ouro e 40% de prata, concentrando 1.800 fábricas de jóias, além de 19 centros comerciais especialmente destinados a comercialização de jóias diretamente aos consumidores. Uma idéia que poderia ser adotada no Brasil.
Durante a inauguração da feira, o presidente da Câmara de Joyeria, Sr Frederico Carlos Diaz Gonzales disse que "a oscilação do ouro já resultou numa perda de 30% da produção de jóias, por conseguinte, elevou a produção de jóias de prata, cuja produção aumentou na mesma proporção, saindo de 40 toneladas para 52 toneladas".
Até agora, a crise americana não atingiu a joalheria mexicana, e assim ainda não ocorreu desemprego, embora as exportações para os Estados Unidos represente 36% de todas exportações mexicanas do setor. O Estado de Jalisco dá emprego direto a 44 mil joalheiros.
Esta feira possui algumas características que poderiam ser anexadas na Feninjer, como já temos recomendado para a organização, como bijuterias finas, espaço para designers, e pavilhão internacional. Hoje com o problema do preço do ouro que pode chegar a US$ 1200 (alguns dizem US$1500) os fabricantes de jóias finas estão partindo para a produção de bijuterias e folheados de alta qualidade, como alternativa. Até a grife Chanel que lançou a bijuteria no mercado em 1920, está agora lançando linhas de bijuterias finas. Aliás, outras grifes também fazem isto. Porque uma fábrica de jóias de ouro não pode fazer isto?
Nesta feira, o tema principal foi romper paradigmas, passando de uma atividade meramente artesanal para uma indústria capaz de incorporar alta tecnologia e processos de qualidade internacional.
Algumas marcas mexicanas começam a se destacar no mercado internacional como a Mackech e Torco, principalmente no mercado europeu.
Conforme informações do Sr. Andrés Rosales Viruete, coordenador da Expo Joya, nesta feira, os expositores fecham contratos que correspondem aproximadamente 40% de sua produção anual.
O ponto que chamou mais atenção ao representante do CREBi.com é foi o grande número de fabricantes de jóias de ouro que se filiaram ao programa de certificação de ouro e prata, que lá se chama de "Grupo de Calidad en Kilataje", que é regulamentado por uma Norma Oficial Mexicana NOM-033-SCFI-1994, validada pela certificadora EMA, uma espécie da Amagold brasileira que garante ao cliente que pode comprar produtos de alta qualidade. O CREBi.com vai fazer uma reportagem de como esse programa é aplicado no México e que será útil para o IBGM implementar o Amagold. O México possui 327 empresas certificadas, e o Brasil nem 10% desse número, se não estivermos enganados.
Outro ponto que chamou atenção é o incentivo que os joalheiros mexicanos estão oferecendo para que novos investidores entrem no negócio de jóias: "Como Iniciar Seu Próprio Negócio", que é pago.
Outro ponto se refere a participação dos melhores designers mexicanos de jóias, principalmente aqueles que tem porte para o mercado internacional, como Gustavo Helguera, Gabriela Sánchez, Débora Guzmán, Samuel Busterín, Víctor Sabido, Luis Gabilondo, Martha Vargas, Danmalk, Oscar Figueroa, Mauricio Serrano, Edith Brabata, Ari y Vanessa Dálamico.
Enfim, uma grande feira.
©2006 ITC