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Bijoux versus joalherias, novos mercados em formação - 1a parte

Na física, os opostos se atraem. Na vida empresarial, também, como o caso de bijoux e folheados e jóias de ouro que cada vez mais se aproximam em produtos, embora por muito tempo teimaram em trabalhar em separado.
Na verdade, os dois lados estão se aproximando pelo mesmo motivo: estão sendo espremidos.
As jóias de ouro pelo preço do metal e as bijoux pela concorrência dos asiáticos.
E isto leva algumas conclusões: as joalherias estão ficando mais bijoux e as bijoux mais joalheiras. Inclusive também válido em parte para as joalherias finas, embora para muitas seja isto um sacrilégio.
Vamos explicar como acontece essa aproximação:

Bijoux
O mercado americano é bem ilustrativo para o que desejamos explicar, embora haja exemplos também na Itália e Espanha.
Na época de 90, existiam aproximadamente nos USA aproximadamente 2.200 fabricantes de bijuterias e folheados e em 2006, foram reduzidos para 900.
O que aconteceu? Invasão asiática. Acabou criando três situações: 1) Muitos fabricantes fecharam ou se tornaram exclusivamente varejo.
2) Muitos fabricantes americanos instalaram fábricas na Ásia Pacífico, principalmente na China.
3) 900 fabricantes que continuaram no mercado fabricando somente alguns tipos de produtos para diferenciar dos produtos chineses e agregar valor ao produto:
   a) Peças cujo desenho permite automatização das operações;
   b) Peças de qualidade joalheira com sistema "gold filled" em lugar de "gold plated", como é normalmente    feito no Brasil.
   c) Peças com pedras preciosas, o que é uma forma de tornar a bijoux para o lado da jóia. Poucos    fabricantes exploram esse filão.
Com essa nova política, os americanos conseguiram conservar parte do mercado americano, além de obter expressivo aumento de exportações de bijuterias e folheados, inclusive para América Latina, onde são líderes em alguns países.

Joalheria
Nos produtos joalheiros, a concorrência chinesa não é tão expressiva, exceto no segmento de jóias de ouro com preços abaixo de US$300, onde os produtos asiáticos são um concorrente forte.
Mas o problema reside no alto preço dos metais, principalmente ouro e platina que está incentivando os joalheiros em encontrar outras vias para fabricação de produtos compatíveis.
Há diversas alternativas:
1) Fabricação mais intensiva de jóias de prata. Isto não é em si uma novidade. Algumas empresas finas como a Tiffany fabricam até 30% de suas jóias em prata.
2) A forma mais usada é fabricar peças com pouco ou nenhum ouro, mas com muitas gemas preciosas. Na verdade, isto já ocorre, como as novas peças da Manoel Bernardes que se baseiam pedras com cordão de borracha.
3) O aço é um produto que já faz parte da joalheria fina. A H.Stern já fabrica produtos com este metal.
Os exemplos acima mostram que a joalheria fina está se aproximando mais das bijoux.
E estão se aproximando mais quando entra no mundo da moda, um mercado até agora exclusivamente das bijoux.
Mas este será o assunto do próximo artigo.


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