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As duas maiores empresas de joalheria da Bolívia, Exbol e Orbol, com um efetivo de 5000 pessoas (uma espécie de conglomerado de artesões) preparam-se para se instalar no Peru a convite do ministro da Produção peruano, Rafael Rey, segundo informação do próprio "Ministerio de la Producción".
Este é um negócio que pode também interessar as empresas brasileiras do setor. Não deixe de estudar essa oportunidade.
Explicando a notícia:
O motivo principal da fuga das joalherias bolivianas para o Peru é o aproveitamento dos benefícios do tratado de livre comércio USA-Peru, que começa a vigorar em breve. Isto porque os benefícios da ATPDEA - Associação dos Paises Andinos para Erradicação de Drogas oferecido pelo governo americano como um prêmio ao combate as drogas, está caducando.
Em agosto passado, Rey viajou a Santa Cruz, Bolívia, onde se reuniu com grande número de empresários e membros da Câmara Nacional de Exportadores bolivianos para expor os "benefícios e vantagens de se investir no Peru, onde encontrariam segurança jurídica, tratamento igualitário e possibilidades de crescimento sustentável", segundo dados da Ansalatina.
Outros dados
O governo de Alan Garcia colocou como uma das suas prioridades incentivar a indústria joalheira peruana e está fazendo um esforço especial neste sentido.
A menos de 1 mês, esteve na Espanha, onde convidou os empresários espanhóis no setor de mineração e joalheria a investir no Peru.
E o Brasil precisa entrar neste circuito para não perder espaço e continuar vendendo até mais para o Peru e para todos os países do Pacto Andino, onde o Brasil ocupa o 1o lugar nas importações de jóias pelo Peru.
Hoje, o Peru é o 5o maior produtor de ouro do mundo (presidente do Peru diz que já é o 3o) e possui a maior mina de ouro do mundo, a Cajamarca.
O Peru é o maior fabricante latino americano de correntes de ouro e prata que são exportadas em sua maioria para os USA, rendendo uma média de US$ 100 mil por ano. Diga-se de passagem, correntes é o único produto exportado pelo Peru em jóia, praticamente.
Toda a matéria-prima de ouro inclusa nas correntes fabricadas no Peru é feita pelo sistema "drawback". O Peru é o país das Américas que mais adota este sistema e incentiva seu uso.
O Brasil poderia adotar o mesmo sistema com suas jóias. A idéia de Alan Garcia é boa, pretende criar um pólo forte. O Peru é o 3o maior fabricante de ouro e o 1o (ou 2o) de prata, mas não tem pedras nem diamantes. E aí está a parceria entre o Brasil e o Peru.
Além disso, o design peruano ainda precisa ser muito melhorado, embora esteja fazendo um esforço neste sentido. Neste ponto, o Brasil pode alterar esse quadro.
Mas o Brasil tem outros pontos positivos com o Peru, até 2005, tinha o 2o maior comércio internacional com este país, sendo superado pela China no ano passado.
A H.Stern tem 3a maior base de pontos de venda no exterior exatamente no Peru. É a única empresa estrangeira que participa do Consórcio de Exploração Turística do Peru.
Como se nota, o relacionamento comercial entre o Brasil e o Peru no setor é bastante forte e pode ser fortalecido com um novo convênio.
O Peru é um dos mercados alvos do programa de exportação APEX-IBGM e poderia ser melhorado ainda mais com a concretização desse projeto.
Isto é importante para o Brasil não perder as posições já conquistadas.
©2006 ITC